Os números que mostram o fracasso

O pífio futebol apresentado pelo ABC no empate sem gols diante do Santa Cruz, no sábado, deixou novamente em evidência que o problema do clube não está no banco de suplentes. E que a missão de livrar a degola é cada vez mais um sonho distante. O problema não está no comandante da equipe, no tempo de trabalho ou da sorte. Ou falta dela. O problema que salta aos olhos após 23 rodadas é que a direção do clube montou um elenco muito frágil para encarar a competição.  Foi um erro grosseiro.

Itamar Schulle, o menos culpado a esta altura, vai tentar o milagre que dois antecessores não conseguiram. Que um elenco de baixa qualidade técnica, longe dos desafios da Série B, consiga a façanha de ganhar 10 jogos de 15.

Os números não mentem. E são muito cruéis com a gestão que gostava de utilizá-los quando era oposição.

O ABC não marca gol há exatos 40 dias. Este feito aconteceu pela última vez no dia 1º de agosto, no empate em 1 a 1 diante do Oeste. Apesar de ter 7 atacantes no seu elenco (11 durante toda a Série B) eles juntos marcaram apenas 10 gols. Para quem gosta de números – ou gostava quando atacava nas redes – nunca é demais lembrar deste fracasso na Série B 2017.

Outra vergonha: Dos últimos 16 jogos, o ABC venceu dois e empatou dois. De 48 pontos em disputa conquistou irrisórios 8. De 23 rodadas, venceu apenas 4 jogos.

Os números, sempre eles.

Entre a 8ª e a 23ª rodadas, o clube venceu Goiás (2 a 1 no Serra Dourada), o Brasil de Pelotas (1 a 0) na 17ª rodada e dois empates diante de Oeste (18ª rodada) e contra o Santa Cruz (23ª).

Os responsáveis pelo fracasso e o virtual rebaixamento não estão no banco. Nem em campo. Também estão sumidos das redes.  “Venderam” ao torcedor uma permanente “avaliação” e “critérios”.

Quem era oposição e tinha a receita de sucesso, na teoria, na prática perdeu a fórmula na primeira turbulência que enfrentou e repete um fracasso rotundo nas mesmas proporções de quem deixou a direção. O clube caminha a passos largos para o rebaixamento vergonhoso, para o endividamento e para mais vexames em campo.

2 thoughts on “Os números que mostram o fracasso

  1. Desde 2010, este foi o ano em que o ABC teve a menor quantidade de jogadores no seu elenco. Apenas 44 jogadores estiveram no clube neste ano, enquanto que, por exemplo, em 2013 foram 74 jogadores, em 2014 foram 80 jogadores e em 2015 foram 67 jogadores.

    Devido às grandes dificuldades financeiras decorrentes das enormes dívidas trabalhistas, o clube optou por em 2016 e 2017 contratar em menor quantidade e com salários bem mais baixos do que nos anos anteriores.

    Este planejamento que foi feito em 2016 e 2017, consistente numa quantidade menor de contratações e com um teto salarial muito baixo estabelecido pela Diretoria do clube, deu bons resultados na Série C, mas obviamente dificultou o desempenho na Série B, uma competição em que os adversários tem folhas salariais muito maiores do que a atual folha do ABC, a menor que o clube teve na Série B nos últimos 6 anos.

  2. O ABC de fato mudou o foco e estratégia de contratações deste ano, ao invés de trazer muitos jogadores, trouxeram poucos, mas de qualidade também duvidosa.
    A nível de gestão, inicialmente, parece uma boa perspectiva, já que os gastos seriam bem menores. Por outro lado, a problemática de forma geral não foi somente esta.
    Vimos desde o início do campeonato posturas muito claras, principalmente de Leonardo Arruda: que o ABC tinha elenco para a série B.
    Não era somente a impossibilidade de investimento, mas que o elenco era suficiente. O mesmo, deu entrevista à radio 98 dias antes da estreia, que aquele não era momento para se contratar, não falou de dinheiro, mas de momento. Alguns dirigentes criticavam abertamente setores da mídia que afirmavam a necessidade de constatações, e reafirmavam suas posturas a cada sucesso do ABC, nas primeiras rodadas, como naquele empate contra o Inter em Porto Alegre. Além disso, o ABC alardeou aos quatro ventos patrocínios como os da Yamaha e Caixa, mas não tem dinheiro para investir…
    Muito bem e agora? vai investir quando, na série C? de novo? só dizer que o ABC está afundado em dívidas trabalhistas não resolve, já que times do Brasil todo também estão. Se não tem dinheiro, não adianta alardear grandeza, que as coisas sejam postas com clareza.

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