Coronel Nunes vai à CPI do Futebol escoltado por tropa de choque da CBF

Por Daniel Brito (Blog do Daniel Brito)

Coronel Antonio Nunes, presidente interino da CBF, confirmou presença na sessão da CPI do Futebol no Senado nesta quarta-feira. Chegará como convocado, e não na condição de convidado, como pretendia. Também não será alvo de condução coercitiva, pedido que derrubado pelo ministro Teori Zavascki, do STF, e como testemunha, não investigado.

Livrou-se do constrangimento de ir ao Senado escoltado pela Polícia Federal.

Seu séquito será formado pelo secretário-geral da CBF, Walter Feldman, e da equipe de “assessoria legislativa” da confederação, que atua na CPI sob o comando de Vandembergue Machado. Ele é o responsável por arregimentar os senadores que defendem os interesses da CBF na comissão parlamentar de inquérito. Feldman veio a Brasília em junho, quando do depoimento de Marco Polo Del Nero à comissão de esporte da Câmara e deixou a sessão, que durou quase cinco horas, cantando vitória.

Feldman e o coronel chegaram na terça-feira, 15, a Brasília e se hospedaram em um hotel na Asa Norte, com vista para o Congresso Nacional. Na primeira vez que Nunes foi ao Senado nesta CPI do Futebol, em outubro, falou por 10 minutos sobre seus feitos à frente da Federação Paraense de Futebol, cargo que ocupa há mais de 20 anos.

Licenciou-se da entidade estadual em janeiro para assumir a presidência interina da CBF no lugar de Marco Polo Del Nero, citado nominalmente nas investigações do FBI que levaram José Maria Marin à prisão. Antes, porém, em dezembro, Nunes foi eleito vice-presidente da confederação. Por ser o vice mais velho, 77 anos, tornou-se o primeiro na linha sucessória na CBF, deixando para trás Delfim Peixoto, presidente da federação catarinense, de 74 anos, e desafeto de Marco Polo.

Por isso, sobre Nunes recai a pecha de figura decorativa na presidência da confederação. Policial militar reformado, recebe um soldo mensal de R$ 14.768,00 da Força Aérea Brasileira (FAB) como anistiado, “vítima de ato de exceção de motivação política”, conforme mostrou reportagem do jornalista Lúcio de Castro na Agência Pública, em janeiro.

O cartola terá de explicar o que foi feito dos repasses do Governo do Estado do Pará à federação que presidiu até assumir a CBF em janeiro. Assim como suas relações com Marco Polo Del Nero, José Maria Marin e Ricardo Teixeira. Este último pode ser convocado a depor caso requerimento do senador Romário (PSB-RJ), presidente da CPI, seja aprovada na sessão desta quarta-feira.

Por fim, o coronel Antonio Nunes pode explicar porque o Estado do Pará ganhou mais uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, enquanto que Santa Catarina, de Delfim Peixoto e mais bem ranqueada na CBF, ficou de fora deste pacote de bondades anunciado nesta terça-feira, 15, pela confederação.

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