Alemanha projeta revolução em seu futebol, com novas cotas de TV e profissionalização da federação

Por Leandro Stein (Trivela)

A Alemanha possui a maior economia da Europa. Não à toa, os seus clubes conseguem estabelecer acordos comerciais polpudos – e nenhum outro time no mundo ganha mais dinheiro desta maneira do que o Bayern de Munique. Entretanto, isso não significa necessariamente mais competitividade financeira para a Bundesliga. Ou mesmo mais dinheiro circulando pelas equipes do que em outros países, como a diferença para Premier League bem evidencia. Por isso mesmo, os alemães desenvolvem um plano para fortalecer os seus clubes profissionais. Uma tentativa de dar um passo à frente.

O plano foi elaborado pela Federação Alemã de Futebol (DFB), em conjunto com a liga de clubes das duas primeiras divisões, e teve detalhes divulgados pelo jornal Bild. O projeto se baseia em diversas transformações estruturais na liga e na própria federação. Tenta aumentar a força dos próprios times e a transparência na organização, abalada pelo escândalo de corrupção da Fifa e pela denúncia de que o país teria comprado o direito de sediar a Copa do Mundo de 2006.

O ponto mais importante para elevar a competitividade está nos direitos de televisão. O atual contrato se encerra em 2017, e a intenção da Bundesliga é superar € 1 bilhão na próxima negociação. Além disso, a liga se dispõe a discutir a atual divisão feita entre os clubes da primeira e da segunda divisão. Atualmente, € 142 milhões são repartidos na segundona. A ideia é não diminuir o valor, mas a porcentagem que ele representa no bolo, para garantir mais dinheiro aos times da elite. Apesar da longa discussão que o assunto promete, a liga reafirma que a solidariedade entre os dois níveis não está em discussão. E, independente das tentativas do Bayern de negociar individualmente os valores, a maneira como o dinheiro é distribuído entre as equipes não tende a mudar.

A intenção de aumentar o bolo de dinheiro da TV, no entanto, pode também trazer novidade à própria cultura do futebol na Alemanha. Discute-se uma maior distribuição no horário dos jogos, para aumentar o poder de barganha. Além disso, como o mercado interno de TV paga não é tão forte (diante dos preços mais baixos dos ingressos e de algumas transmissões também na TV aberta), há o intuito de explorar melhor as possibilidades no exterior – em um processo concomitante que também necessita de uma competitividade maior dos times.

Outro tema fundamental é o da profissionalização da DFB. Os alemães querem transformar a sua federação em uma empresa, para aumentar a transparência dos processos e fomentar as possibilidades comerciais que têm em mãos – incluindo as áreas de patrocínio, marketing e comercialização de direitos. O plano, aliás, estaria em estágio adiantado para que as transições ocorram já nos próximos meses, com a contratação de diretores e a composição de um conselho supervisor.

Obviamente, não é uma questão apenas de querer que fará a Bundesliga mais forte. Mas a transformação de alguns aspectos pode ajudar bastante. Em especial, na própria maneira de entender a estrutura da federação – em um projeto similar às ligas de clubes. Uma ideia que, em si, pode ajudar o futebol como um todo, depois de tantos escândalos de corrupção envolvendo o velho sistema apodrecido.

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