A incrível história de Hohberg, avô do jogador do Cesar Vallejo, que voltou da morte na Copa de 1954

Foto: Reprodução
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Por Felipe Lobo (Trivela)

Alejandro Hohberg é peruano de nascimento, mas tem uma ligação muito forte com o Uruguai. O jogador do Cesar Vallejo foi o autor de um golaço contra o São Paulo no jogo de ida da primeira fase da Copa Libertadores, também chamada de pré-Libertadores. O jogo terminou 1 a 1, com o jogo de volta marcado para esta quarta-feira, no Pacaembu, em São Paulo. Hohberg tem uma ligação histórica com o futebol uruguaio, incluindo uma ligação de sangue, com o seu avô tendo sido protagonista de uma das histórias mias fantásticas da história das Copas do Mundo.

O jogador do Cesar Vallejo é natural de Lima, capital do Peru, mas foi para o Uruguai ainda cedo, aos 10 anos. Foi lá que se formou como jogador de futebol, passando pela base do Liverpool e do Peñarol, mas se profissionalizando pelo Rentistas, em 2012. Ainda jogaria por Torque, no Uruguai, antes de chegar ao Melgar, seu primeiro clube no Peru, em 2014. Jogou ainda no San Martín em 2015 e se tornou jogador do Cesar Vallejo em 2016.

Mais do que tudo isso, Alejandro Hohberg tem um laço importante com um jogador histórico da seleção uruguaia. Ele é neto de Juan Eduardo Hohberg, atacante que defendeu as cores uruguaias na Copa de 1954, sendo destaque e também uma das cenas mais assustadoras que se tem notícia em um Mundial.

Juan Eduardo Hohberg, curiosamente, nasceu na Argentina, em 1927, mas se nacionalizou uruguaio. E foi pelas cores do Uruguai que Juan Eduardo foi o protagonista de uma história incrível naquele Mundial da Suíça em 1954, em um dos grandes desempenhos da Celeste em Copas do Mundo.

O jogador começou a carreira ainda criança como goleiro, na Argentina. Foi por acaso que mudou a sua posição. Ainda nas categorias de base, ele foi colocado de centroavante, marcou gols e, a partir daí, se tornou atacante. Jogou no Central Córdoba aos 16 anos, se transferiu ao Rosario Central, em 1946, até que foi contratado pelo Peñarol, do Uruguai, em 1949.

Foi a partir daí que a sua história, e a do Uruguai, mudou. Chegou ao Peñarol aos 22 anos e acabaria sendo parte de um esquadrão histórico, comandado pelo técnico húngaro Emérico Hirsch, e que tinha na linha ofensiva Ghiggia, Hohberg, Míguez, Schiaffino e Vidal. Ataque que tinha os dois jogadores que marcaram os gols históricos do título uruguaio de 1950, no Maracanazo. O ataque era chamado de “Esquadrilha da Morte” pela alta capacidade goleadora.

O desempenho incrível no Campeonato Uruguaio de 1949, com 14 gols em 18 jogos, atrás apenas de Míguez como goleador da equipe, fez com que houvesse pedidos para que ele se nacionalizasse uruguaio, com vistas a jogar a Copa do Mundo do ano seguinte, no Brasil. Com a suspensão de Walter Gómez, então destaque do Nacional, por ter dado um soco em um árbitro, fez com que o pedido por Hohberg fosse ainda maior. Se abriu o processo de nacionalização, mas não foi bem sucedido. Acabou ficando fora da Celeste que foi ao Brasil. Não fez parte daquele time histórico. Mas não era o fim.

Na Copa do Mundo seguinte, o atacante, forte, bom cabeceador, artilheiro, estava na Suíça para defender as cores uruguaias. Na histórica semifinal diante da Hungria, então o time sensação da Copa, foi de arrepiar. A Hungria de Puskás saiu vencendo com gols de Czibor, aos 13 minutos, e Hidegkuti, logo a um minuto do segundo tempo.

Foi então que Hohberg apareceu para mudar o jogo. Ele marcou o primeiro gol uruguaio aos 30 minutos da etapa final, antes de marcar o seu gol mais marcante. Aos 41 minutos, Hoberg empata o jogo, forçando a prorrogação. Naquele lance, o jogador ficou desacordado. Hohberg teve um ataque cardíaco. Os segundos desacordados poderiam ter sido fatais ao atacante. O médico do Uruguai, Carlos Abate, deu duas doses de coramina ao jogador, além de fazer massagem cardíaca para ressuscitar o jogador.

Aqueles segundos desacordados foram um susto, e o Uruguai voltou a campo com 10 jogadores para a prorrogação. Mas não por muito tempo. Mesmo desaconselhado pelos médicos, voltou a campo sozinho, com poucos minutos de jogo na prorrogação.

Jogou, naquelas condições. Um ato de muita coragem, mas que no futebol atual não se repetiria. Certamente acabaria substituído, ou mesmo retirado do gramado. O Uruguai acabou perdendo na prorrogação por 4 a 2, graças a dois gols de Kocsis, que acabaria sendo artilheiro do Mundial, com 11 gols. Hohberg ainda marcaria um gol na disputa de terceiro lugar contra a Áustria.

A grande atuação de Hohberg fez com que os dirigentes dos clubes europeus presentes à Copa do Mundo quisessem levá-lo ao futebol europeu. Juventus e Roma ficaram interessados em contratá-lo. O Peñarol, porém, disse que ele era intransferível e se recusou a vender o jogador. O pior viria depois: em um acidente de carro, ficou sem poder jogar futebol por anos, até voltar em 1958. Jogou pouco. Queria mais minutos em campo e acabou aceitando uma proposta para defender o Racing de Montevidéu. Deixou o Peñnarol depois de conquistar seis títulos uruguaios e uma Copa Libertadores, em 1960.

A sua carreira no Racing durou pouco. Foram só seis jogos, com três gols marcados, muitas desavenças, fruto de sua personalidade explosiva, e mais uma transferência. Desta vez, para o Cúcuta Deportivo, que jogou em 1961. Foram 19 gols em 37 jogos. Se aposentou ao final da temporada. Continuou na Colômbia, onde começou a sua carreira como técnico no Atlético Nacional. Passou por diversos clubes como treinador, como Racing de Motevidéu, Rampla Juniors, Bella Vista, Peñarol e Nacional.

Em 1969, foi convidado a dirigir a seleção uruguaia. Conduziu a Celeste na Copa do Mundo de 1970, no México, caindo apenas diante do Brasil mais espetacular que se viu, liderados por Pelé, por 3 a 1. Depois disso, ficou anos sem trabalhar até voltar a ser treinador no Peru, no Universitario. Foi campeão peruano em 1974 e foi contratado pelo Alianza Lima, onde ganharia os campeonatos de 1977 e 1978. Passaria ainda por Deportivo Municipal, Juan Aurich, ambos também do Peru, além de Emelec e LDU, no Equador. Treinou o Atlético Español, do México, e chegou a ser treinador interino da seleção uruguaia em 1978.

Se aposentou logo depois disso e decidiu morar no Peru, onde tinha um grande reconhecimento do público. Em 1996, o coração que já tinha parado naquela Copa do Mundo de 1954, não resistiu mais. Parou de vez, 42 anos depois. Juan Eduardo Hohberg deixava a vida e a família em Lima.

A família Hohberg ficou no Peru, onde nasceu Alejandro, que estará em campo nesta quarta contra o São Paulo. O golaço que marcou talvez lembre um pouco do grande jogador que foi o seu avô. Se o Cesar Vallejo está longe de ser uma potência como foi o Peñarol de Hohberg avô, ao menos o neto Alejandro tem muita história para contar ao olhar as fotos da família.

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  1. Gracias por el recuerdo y la manera de hacerlo
    Solo una corrección , el dejo de jugar después de ser campeón de la primera libertadores en PEÑAROL
    El accidente fue de avión y cayó en Uska grande Brasil el cuatrimotor de Aerolíneas en 1958 que retornaba a Peñarol desde Portugal ( yo estaba en ese vuelo) retorno a Peñarol y salió campeón 1958,59,60 uruguayo y campeón de la Libertadores
    Se va a Volombia al deportivo Cúcuta pasa por nacional de Medellín
    Racing Panatinsucos Rampla y ja Seleccion
    El primer equipo que lo trae a Perú es el Sport Boys en 1972

    1. Hola Pablo,
      Mucho gusto en conocerte. Gracias por las infos y por entrar acá en nuestro espacio.
      Saludos de um uruguayo hincha de Peñarol radicado en Brasil hace 28 años.

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