Nova Conmebol é a mesma de sempre: redução de punições com justificativa de festa

Por Leonardo de Escudeiro (Trivela)

Alejandro Domínguez foi anunciado como o novo presidente da Conmebol no início da semana passada, conquistando o cargo sem concorrentes, já que o uruguaio Wilmar Váldez retirou sua candidatura após um acordo ser costurado com a federação do país. Nós explicamos como o paraguaio conseguiu o cargo mais importante do futebol na América do Sul. Nesta terça-feira, a primeira decisão da nova fase da entidade já rendeu polêmica: o Comitê Executivo da confederação sul-americana decidiu reduzir as punições vigentes a clubes e jogadores.

Conforme comunicado divulgado nesta terça-feira, a entidade decidiu cortar pela metade todas as punições a jogadores, além de arredondar para baixo outras. Assim, quem tinha três jogos de suspensão, por exemplo, passa a ter que cumprir apenas um. Quem tinha um, está livre para jogar. Entretanto, não fazem parte do indulto punições por doping, agressão física a árbitros, racismo ou qualquer tipo de discriminação e manipulação de resultados.

Em relação aos clubes, a decisão foi de reduzir em dois terços as punições, e o maior beneficiado disso tudo foi o Boca Juniors. O clube havia sido punido pelo incidente do spray de pimenta na Libertadores passada com oito jogos sem poder contar com sua torcida: quatro na Bombonera, com portões fechados, e quatro como visitante, em que não poderia contar com torcedor algum nos estádios de seus adversários. Com a decisão da Conmebol, o clube precisará cumprir apenas dois jogos: um como mandante e um como visitante.

As medidas anunciadas pela Conmebol se tornam ainda mais passíveis de críticas diante da justificativa dada pela entidade em seu comunicado oficial, em que afirmou que as orientações tinham caráter único e exclusivo, por ocasião da celebração do centenário da confederação. E não ajuda que seja um clube argentino, forte politicamente, o maior beneficiado pela decisão. Afinal, a AFA declarou apoio ao novo presidente da Conmebol, ganhando uma indicação de Domínguez ao Comitê Executivo da Fifa.

Mesma promessa do paraguaio à CBF e à Federação Uruguaia, que também apoiaram a candidatura do novo presidente e agora têm seus representantes dentro da entidade máxima do futebol. E do Brasil, através da CBF, que também manteve o seu posto no Comitê Executivo da Fifa. Só que mesmo com o benefício conseguido com um representante no Comitê Executivo da Fifa, o Uruguai votou contra a anistia das punições. Foi o único a votar contra. Argentina e Brasil, além de todos os outros, foram favoráveis. As politicagens de sempre.

No ano do centenário, as primeiras medidas da nova administração da Conmebol nos passam a mensagem de que podemos esperar mais do mesmo também para os próximos cem anos. Os interesses de instituições fortes no continente parecem fadados a estar à frente dos interesses do bom funcionamento do futebol no continente. Não há qualquer esperança de melhora. A pergunta é: será que o atual presidente tem algo a temer em relação ao FBI? Três já acabaram indiciados desde o início do Fifagate…

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