O padrão da hipocrisia

Por Alexandre Silvestre (Blog do Alexandre Silvestre)

“Padrão FIFA” é um termo que me causa calafrios. Já não curto muito padrões sociais – os da FIFA então…Entidade hipócrita, que publicamente defende o jogo limpo, fazendo jogo sujo nos bastidores do futebol. Tão contaminada quanto a Federação Internacional, é a CBF. Talvez, pior. A Confederação Brasileira sequer tem personalidade. Copia, improvisando, mal e porcamente.

No último Campeonato Nacional, colou da FIFA o procedimento de entrada dos times; pelo centro, equipes juntas, lado a lado, como na Copa. A diferença é que o “Padrão FIFA” das arenas no mundial têm estrutura e logística que permitem o ritual quadradinho e comportado.

No Brasileirão, alguns estádios antigos não oferecem tais condições, e a CBF dá um jeitinho bem brasileiro: os jogadores saem de túneis, muitas vezes atrás dos gols, se unem na linha central do gramado, passando por um portal brega, ridículo, meio de papelão ou algo que o valha, calçado por sacos de areia aos pés da leve estrutura, para impedir que voe pelos ares durante uma eventual ventania.

E, na minha visão, vai piorar! A moda agora, para o próximo Campeonato Brasileiro, será a padronização da grama e das dimensões do campo. Tudo “Padrão FIFA”. Não gosto, nem em Copas! Sou do contra e ponto!

Defendo o padrão de um piso de boa qualidade, e só. O que não significa repetir, em todas as praças, o mesmo tipo de grama, ou tamanho de campo. Gosto da ideia de que cada estádio tenha sua característica: grama alta, rala, lenta, veloz, fofa, dura e etc. Diferenças que, ao meu ver, deveriam valer ainda para as dimensões da cancha: menor, maior, intermediária e assim por diante.

Os caras querem padronizar, inclusive, o estilo das redes? Não é legal ter um gol com rede “véu de noiva”, esticada ou solta? E num outro estádio, no formato “caixote” (com redes brancas, ou das cores do dono da casa), ao gosto do freguês?

Vai chegar o dia em que esses burocratas irão colocar grama sintética em tudo, exigirão estádios fechados, cobertos, climatizados em agradáveis vinte e três graus Celsius, e nunca mais teremos futebol com frio, calor, umidade, chuva, ou um pouco de neve. Futebol de laboratório?

Estão tirando a naturalidade do futebol, bicando as tradições locais, padronizando demais. Não mais veremos o visitante entrar em campo debaixo de vaias? E a festa que a torcida faz na entrada do mandante? E quando rolar um gol? Padronizarão comemorações? Cinco maneiras autorizadas de festejar os gols, devidamente estudadas pelos demagogos da bola.

Alguém deveria impor aos cartolas (caretas e corruptos) um padrão de honestidade, de ética. Isso sim! Parem de “enlatar” o nosso futebol e criem, antes de outros, o padrão…”vergonha na cara”.

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