Clubes brasileiros são egoístas, frouxos e merecem CBF e federações

Por Vítor Sérgio Rodrigues (Blog do VSR)

Os três últimos presidentes da CBF estão presos ou indiciados pelo FBI. Na semana que vem, um desses presidentes acusados de corrupção vai fazer uma manobra na CBF para nomear um cartola de 79 anos que mora no Pará como vice-presidente da região Sudeste (!). O objetivo, continuar mandando na CBF, apoiado pelos cabides de empregos que são as federações estaduais. Tudo isso vai acontecer na cara dos 40 clubes da Primeira e da Segunda Divisões do Brasil. E o pior: contará com o voto de muito desses clubes.

Os clubes do futebol brasileiro merecem estar submetidos aos desmandos de quem comanda a CBF e terem parte do dinheiro gerado por eles retido pelas federações estaduais. Merecem porque os clubes brasileiros são egoístas demais. Só pensam em si e em tirar vantagem do “co-irmão” (uma das palavras mais ridículas e sem sentido da Língua Portuguesa). Nesta quinta-feira tivemos mais um exemplo claro disso, vendo ruir a Primeira Liga, que reúne (ou reuniria) vários clubes da região sul, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, sem depender das federações. Enquanto isso, os clubes são tratados como gado pelos cartolas da CBF e das federações.

Por serem egoístas e só pensarem em si, os clubes brasileiros acabam virando frouxos, pois têm medo de se rebelar contra a CBF e as federações. Já que não há união e confiança nos “co-irmões”, não vale brigar contra o poder estabelecido, pois sempre algum clube vai roer a corda. Se isso acontecer, são dois problemas: os traidores vão levar vantagem e os rebeldes serão prejudicados. Assim, é progressão aritmética: 7 x 1, 14 a 2, 21 a 3, 28 a 4 e assim vai…

Se os clubes brasileiros fossem 0,1% inteligentes e 0,00001% unidos, era o momento de tomar de assalto a CBF. Chegar na sede de 70 milhões de reais, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio de Janeiro) pedindo a chave do prédio e botando todo mundo para correr. Só fica a moça do cafezinho. O resto, rua. E fazer o mesmo nas carcomidas federações locais. O motivo? Porque o futebol brasileiro só existe porque existe o Bahia, o Fluminense, o Grêmio, o Palmeiras, o Santa Cruz, Brasil de Pelotas, o Santa Cruz e todos os outros clubes do país.

Se a CBF se recusasse, era fácil resolver: ninguém entra em campo até cair todo mundo. O futebol brasileiro não existe sem os clubes. Mas o futebol brasileiro é totalmente viável sem os corruptos da CBF e das federações estaduais. Mas o egoísmo, a falta de coragem e o rabo preso não permitem que os clubes hajam de forma compatível com isso. Os clubes brasileiros merecem a CBF e as federações.

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