Bate Papo com Bárbara

Foto: Diego Breno
Foto: Diego Breno

Dando continuidade ao nosso especial de fim de Torneio Internacional de Futebol Feminino, hoje vamos falar um pouco sobre essa jogadora que tem chamado a atenção, não só pela segurança em uma das posições mais difíceis no futebol, mas pela beleza rara da morena de olhos claros e sorriso encantador.

Nordestina, humilde, simpática, encantadora, entrevistas com respostas firmes, são inúmeros adjetivos para essa mulher de 27 anos. Presta serviços a Seleção Brasileira -desde a categoria de base- há 10 anos. Dona da camisa 1, hoje o Blog do Gringo traz uma entrevista bem bacana com a goleira Bárbara.

Foto: Cíntia Barlem/Globoesporte.com
Foto: Cíntia Barlem/Globoesporte.com

NOME: Bárbara Micheline do Monte Barbosa

CIDADE NATAL: Recife

IDADE: 27 anos

ALTURA: 1m73

POSIÇÃO: Goleira

CLUBE ATUAL: Seleção Permanente do Brasil

Quando você se interessou pelo futebol e porque jogar no gol?

Então, meu pai foi jogador profissional e ele sempre nos incentivou a fazer algum um esporte e, devido a gente a acompanhar a maioria dos jogos dele, a gente terminou gostando e se dedicando a modalidade. Eu no começo, eu acho, testei de tudo um pouco, fiz todas as modalidades, mas o futebol é o que realmente eu me apaixonei e o incentivo que eu tinha dele. Em termos de goleira foi um pouco complicado, pois no começo eu jogava na linha (zagueira), até que um dia me machuquei e, mesmo assim machucada, o time que eu jogava queria que eu jogasse, não ficasse de fora, e me colocaram no gol. Porque no gol eles falaram que, tipo, eu iria ficar um pouco mais parada e não iria me movimentar tanto. E nesse jogo, por incrível que pareça, eu consegui me destacar. Daí depois continuei jogando no time e ninguém queria mais que eu jogasse na linha, só me jogavam no gol, e daí iniciou né, meu caso como goleira.

Desde quando você começou até o momento atual, você percebe que o preconceito de mulheres jogarem futebol continua ou diminuiu?

Então, eu acredito que o futebol, no todo, o futebol feminino evoluiu muito, seja do lado profissional, seja do lado de visibilidade, seja do lado até mesmo de discriminação. A gente sabe das dificuldades que o futebol feminino vem enfrentando e já enfrentou bastante. Hoje eu acredito que 50% melhorou e melhorou muito.

Quais são as suas maiores conquistas no esporte?

O Mundial Sub20 de 2006, onde a gente disputou contra os Estados Unidos, onde consegui defender três pênaltis dando o terceiro lugar para o Brasil, e nas Olimpíadas de 2008, quando eu pude jogar aquele momento olímpico que foi, pra mim, a maior competição que já tive na minha vida, o momento histórico na minha vida. Por mais que a gente não tenha ganho, mas eu aprendi muito, eu cresci muito e acho que isso foi muito importante para a minha carreira.

O que, ou quem, te inspira a jogar futebol?

O amor. O amor pela modalidade. A gente sabe das dificuldades que a gente passa, que ainda existe, mas quando você ama uma coisa, independente das dificuldades, você tá ali junto. Então acho que, hoje, eu não sei viver sem ser, sem jogar futebol. Meu maior amor hoje é minha família e o futebol.

Qual a sensação de vestir a camisa da Seleção Brasileira?

Então, eu lembro como se fosse hoje, há 10 anos atrás, quando eu tive a primeira convocação na granja Comary que eu não acreditei. Eu acho que toda jogadora, toda modalidade, todos os atletas em si, almejam chegar a uma Seleção Brasileira, seja ela qual for. Então, eu como uma criança, como uma adolescente, almejava sim chegar numa Seleção Brasileira, mas não acreditava. Acho que a visibilidade do futebol feminino, na época, era muita baixa. Então eu esperava que não, até também por ser nordestina, as pessoas meio que discriminavam a parte do Nordeste, e eu não deixei de acreditar. Eu acreditei em todos os momentos, era um sonho chegar na Seleção, e lembro como se fosse hoje a primeira convocação que eu tive na categoria de base, e quando eu coloquei a camisa pela primeira vez, chega até a arrepiar, foi emocionante. Eu estive lá, eu joguei as primeiras competições disputando pelo meu país, brigando pela categoria, e hoje, depois de dez anos, eu estou aqui mais uma vez vestindo a camisa, dando o meu máximo, tentando dar o meu melhor, eu acho isso inacreditável, é um reconhecimento enorme da modalidade, da sua profissão. Então eu acho que é uma coisa incomparável, é inexplicável, é um momento único… é só pra quem realmente vive e sabe a luta que tem pra chegar aqui e permanecer. Então eu acho que foi um sonho realizado.

Agora, vamos fazer um “Bate Bola”. Um Filme?

Um Amor Pra Recordar.

Uma música?

A nova da Tiê (A Noite).

Um ídolo?

Hoje a Marta.

Uma jogadora bonita?

Caraca… me pegou. Nossa… Alex Morgan.

Um jogador bonito?

Cristiano Ronaldo.

Uma comida?

Macarrão Frito.

Uma bebida?

Uísque.

Um sonho?

Um sonho… ser feliz

Um time de futebol?

Sport.

Futebol é…

Minha vida.

Amor?

Minha Família.

Deus?

É tudo.

Bárbara por Bárbara

Sou eu.

Para encerrar, deixa uma mensagem para aquelas meninas que desejam jogar futebol.

Ah é complicado, né, a gente sabe da dificuldade que o futebol feminino tem. Mas eu acho que para as pessoas que gostam e almejam futebol nunca desistam dos seus sonhos, ele pode demorar. É difícil, a gente sabe, mas nunca desista.

*Agradecimento especial a assessora da Seleção Brasileira, Fernanda Coimbra.

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